O Silêncio das Rabecas: Tradição Centenária Caiçara de Guaratuba Corre Risco de Desaparecer
GUARATUBA – Uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas do litoral paranaense enfrenta um futuro incerto. A tradicional Folia do Divino Espírito Santo, celebrada há mais de um século nas comunidades caiçaras de Guaratuba, corre o risco de desaparecer devido à falta de renovação entre seus integrantes e ao desinteresse das novas gerações em dar continuidade à tradição.
Símbolo da identidade caiçara, a romaria percorre comunidades rurais, ilhas e localidades da Baía de Guaratuba levando a Bandeira do Divino, orações, bênçãos e cantorias tradicionais que atravessaram gerações.
Já estiveram levando a bandeira em várias cidades fora de Guaratuba:
Paranaguá
Matinhos.
Antonina
Curitiba.
São José
Santa Catarina.
São Paulo
Entre outras.
De dezenas de participantes a um pequeno grupo de resistência
Há algumas décadas, a Folia do Divino mobilizava grandes comitivas formadas por músicos, remadores, cantadores e voluntários que acompanhavam a bandeira durante semanas de peregrinação.
Com o passar dos anos, mudanças sociais, a migração dos jovens para centros urbanos e a diminuição do interesse pelas tradições populares reduziram significativamente o número de participantes ativos.
Hoje, a continuidade da manifestação depende de um pequeno grupo de foliões que segue percorrendo comunidades e mantendo viva a cultura caiçara.
Os guardiões da tradição em 2026
Os músicos foliões que atualmente preservam a tradição da cantoria da Bandeira do Divino são:
Edival Alves
Elói da Silva
Jorge Freitas
Antonio Silva
São eles os responsáveis por acompanhar as visitas, novenas e celebrações religiosas, executando as músicas e versos tradicionais transmitidos ao longo de gerações.
A dedicação desses foliões é considerada fundamental para a preservação da identidade cultural de Guaratuba, uma vez que grande parte dos conhecimentos da folia é transmitida oralmente, sem registros formais.
Falta de jovens preocupa comunidade
Apesar da importância histórica da manifestação, os foliões relatam dificuldade em atrair novos participantes.
Antigamente, acompanhar a Bandeira do Divino era motivo de orgulho para muitas famílias caiçaras. Os jovens aprendiam desde cedo os cantos, os instrumentos e os rituais da folia. Hoje, a realidade é diferente.
Embora a Festa do Divino continue atraindo público e mantendo forte participação religiosa, poucos demonstram interesse em aprender a cantoria tradicional e assumir o compromisso da romaria.
A preocupação é que, sem sucessores, conhecimentos centenários ligados à música, à religiosidade popular e à cultura caiçara possam desaparecer.
Patrimônio cultural que precisa ser preservado
A Folia do Divino Espírito Santo é considerada uma das expressões mais autênticas da cultura tradicional de Guaratuba. Mais do que uma celebração religiosa, representa a memória coletiva das comunidades caiçaras, preservando histórias, costumes, modos de vida e manifestações musicais únicas do litoral paranaense.
Para lideranças culturais e moradores, incentivar a participação dos jovens tornou-se uma necessidade urgente. Sem a renovação das gerações, o som das violas, rabecas e cantorias que há mais de cem anos percorrem as águas e caminhos da Baía de Guaratuba poderá, um dia, silenciar definitivamente.
Enquanto houver foliões dispostos a carregar a Bandeira do Divino, a tradição resiste. Mas o futuro dessa herança cultural depende da capacidade de despertar nas novas gerações o mesmo amor e compromisso que seus guardiões mantêm até hoje.
Redação: Maurício Gonçalves
Fonte/Créditos: Guaranews notícias
Créditos (Imagem de capa): Guaranews notícias

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